Vida

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domingo, 10 de maio de 2015

RENASCIMENTO - 1

Já contei para vocês várias passagens – um pouco da minha briga com a balança ( Pequena História de Vida), minha operação bariátrica – a infecção ( Operação Bariátrica), a segunda operação ( Aderências), enfim sentimentos e acontecimentos especialmente dolorosos e marcantes.

Como todo mundo sabe, tudo passa e após a cirurgia bariátrica e antes da segunda operação eu tive um período em que achei que estava tudo sob controle, vamos a esse período.


No dia 10 de janeiro de 2015 fui no retorno médico de 1 mês após a cirurgia bariátrica e neste dia tive alta e o Dr. Fernando me intimou a voltar fazer exercícios e ficou combinado que eu faria: natação 3 vezes por semana, hidroginástica outras 2 vezes por semana e academia ( aparelhos) pelo menos 3 vezes por semana.


Sendo sócia de um clube perto da minha casa ( ABD – Dracena) eu fui fazer todos os exercícios neste clube.


De segunda e quarta-feira fazia hidroginástica, de terça – quinta e sábado fazia natação ( os dois no final tarde ) e de terça a sexta-feira fazia academia ( bem de manhãzinha ).


Preciso nesse ponto contar que antes da operação eu abominava qualquer exercício que não fosse a natação, academia - nem pensar – de manhã então era abominável, pois nunca dormia antes da 1:00H da manhã e só acordava depois das 8:30 – tendo que ir direto para o escritório.


Acontece que após a cirurgia, durante o período de recuperação meus horários se modificaram radicalmente.


Comecei a dormir por volta das 21:00H e em consequência acordava por volta das 6:00H e eu mantive esse horário após a alta médica e aproveitei para iniciar meu exercícios.


Vou falar, foi um dos melhores meses da minha vida, já acordava bem disposta e ia para a academia com o Professor Alex e ficava por volta de 30 min. puxando ferro ( praticamente sem peso), descobrindo um novo prazer em ver minha musculatura voltando para mim.


Porque a musculatura voltando? porque no pós-cirúrgico  o emagrecimento é muito rápido e perdemos muita massa muscular, tendo a impressão que nunca mais teríamos um músculo sequer no corpo.


Após a academia eu dava um mergulho, nadando por uns 15 minutinhos, tomava banho e ia para o escritório.


No final da tarde voltava, ou para a hidroginástica com a Claudia Becegatto ou natação com Carlinhos Santili, esse último meu exercício favorito longe dos demais.


Na natação ( que era o único exercício que eu fazia antes de operar) achei que fosse demorar para eu chegar na marca que eu fazia antes da operação, mas já na segunda semana estava nadando mais de 1.000 metros em 50 minutos.


Eu estava muito feliz, com meus exercícios, meu emagrecimento o renascimento acontecia a olhos vistos.


Essa alegria toda durou até o dia 12 de fevereiro, dia que nadei 1.450 metros em 50 minutos, sai da natação e fui até o Mochileiros ( um restaurante em Dracena que eu amo) e voltei para casa, onde escrevi dois posts desse blog e dormi até 01:30H da manhã, horário em que acordei chorando de dor, indo parar no hospital e tendo que me submeter à segunda cirurgia ( história devidamente narrada nos tópicos de ADERÊNCIAS).


Enfim, hoje estou ainda em recuperação da segunda cirurgia e me adaptando à nova vida, esperando ansiosamente pela alta médica para voltar às minhas atividades físicas, já planejando fazer – natação, hidroginástica, academia e quem sabe ( se meu esporão deixar) uma corridinha básica com minhas primas – Simone e Angela.


Bom veremos, assim que acontecer conto tudo pra vocês .....


Beijos e uma semana gloriosa a todos .....

quarta-feira, 6 de maio de 2015

OPERAÇÃO BARIÁTRICA - PARTE 5 ( Um Hematoma Inconveniente )

Antes de começar a contar a história propriamente dita vou compartilhar com vocês uma coisa muito legal que ocorreu após o emagrecimento : sabem uma coisa que é impossível para o obeso?  Escrever com o notebook no colo ( porque a barriga toma o espaço todo do colo ) e hoje eu estou fazendo exatamente isso, escrevendo esse post com o meu Notebook no colo. #felizcomonotebooknocolo .....

Bem vamos lá, história nova, no último post eu contei para vocês como foram meus primeiros 15 dias, meus gostos e intolerâncias e quando eu finalmente consegui ingerir a sopinha salgada e achei que tudo ia começar a voltar ao normal ela veio.

Ela quem vocês devem estar se perguntando ... Ela a FEBRE - sim, no dia 27 de dezembro - sábado - por volta das 16:00 horas estava me sentindo pior do que o de costume, ou seja mais cansada - porque não tive uma dorzinha sequer - e resolvi medir minha temperatura. 

BINGO - 38,5º - febre alta.

Imediatamente peguei meu celular para contactar o Dr. Fernando Leal Pereira ( meu cirurgião) pelo WathsApp e lá foi a notícia - Estou com 38,5º de febre.

A resposta veio logo - "Remédio e aguardar para ver se abaixa".

Duas horas depois a temperatura continuava no mesmo patamar e novamente um WathsApp - "temperatura igual anterior" e ai meu telefone tocou imediatamente e claro era o Dr. Fernando que após uma breve conversa mandou que eu fosse para Presidente Prudente  que ele estaria me esperando às 7:00H no hospital.

A noite foi horrível, mas passou e no dia seguinte na hora marcada estávamos eu, minha mãe, a Angela ( minha prima) e o Dr. Fernando no hospital.

Assim que me viu ele veio ao meu encontro e para meu espanto e satisfação a primeira pergunta foi : "Cadê a sua mãe?" e foi imediatamente até ela, a abraçou e acalmou vindo cuidar de mim logo em seguida.

Fui internada, o Dr. Fernando chamou um infectologista - Dr. Portelinha e os dois ficaram em torno de mim o dia inteiro.

Logo que cheguei ao quarto o Fernando veio, avisou que tinha uns alunos esperando e que me veria assim que a tomografia estivesse pronta.

Eu que já tinha me acalmado, estava tranquilamente no quarto onde tiraram sangue para exames e logo vieram com o contraste, via oral, que tomei e fui levada para a tomografia ( a primeira, mas não a última da minha vida  - leiam Aderências ...)

Estava eu na tomografia, as enfermeiras me colocando o contraste na veia quando alguém surge do meu lado - sim surge, porque não sei de onde veio ... kkkkk ... e claro era meu médico o Dr. Fernando, que não aguentando veio ver como estavam indo as coisas.

Enfim, não sei o que ele fez nesse dia, mas de pouco em pouco ele estava comigo, deixando minha prima que não o conhecia encantada com ele também.....

Sim, vocês não acreditam o que esse homem cuida de seus pacientes, com carinho, dedicação e verdadeiro amor por sua profissão.

Bem, o dia acabou, descobriram que um hematoma que havia sobrado daquela hemorragia havia infeccionado e me prescreveram dois antibióticos diferentes, que abrangeria uma gama enorme de bactérias, já que uma cultura para ver qual era a bactéria presente seria inviável pela demora.

No final de tudo o Dr. Fernando me disse que sairia de viagem na madrugada do domingo para segunda-feira e que passaria uns 10 dias fora, mas queria que eu enviasse todos os dias um relatório com temperatura, como eu estava passando enfim notícias e eu fiz exatamente isso, atormentei as pequenas férias do meu médico em tempo integral .....

Enfim, depois dessa infecção debelada eu melhorei incrivelmente, com a ajuda de suco de laranja com acerola e sopinha salgada ( que o Fernando me fez prometer que ia tomar algumas vezes por dia aquela quantidade imensa de 50 ml....)

E aí começou a minha nova vida, e fevereiro foi um mês incrível, como contarei no próximo post....

Beijos a todos .... e obrigada por estarem lendo minhas histórias ....

segunda-feira, 4 de maio de 2015

OPERAÇÃO BARIÁTRICA - PARTE 4 ( Dieta Líquida)

Após a operação e aquele fatídico sábado eu fiquei internada até segunda feira, quando tive alta e pude vir para minha casa.

Ai começa uma fase em que algumas pessoas chegam perto de enlouquecer, mas comigo foi relativamente tranquila.

Nessa fase temos uma dieta insana, na primeira semana temos que tomar um copinho de café ( 50 ml) de líquido a cada 30 minutos.

Eu tinha um arsenal de líquidos diferentes na minha geladeira - gatorade de vários sabores, água de coco, água, sucos naturais ( peneirados e coados) principalmente de melão e melancia e ainda tinha  que tomar o caldo em que havia cozinhado legumes.

Tudo que era doce eu conseguia engolir, mas o tal caldinho de legumes era uma verdadeira tortura, só o cheiro me dava ânsias homéricas ...

Minha mãe, minha tia Lola e minhas primas não saiam do meu pé dizendo que eu tinha que comer ( tomar ) alguma coisa salgada, mas aquele caldo não descia de jeito nenhum...

Além da alimentação precária ainda tinha que usar uma meia mega hiper apertada, uma cinta tão apertada quanto a meia e andar, andar muito para não dar gases, para não dar trombose, para me mexer e tudo que eu queria era ficar na cama, pois não tinha forças para nada.

Andar nunca foi meu exercício favorito, se é que existia algum exercício favorito antes da operação, e de repente eu tinha que me esforçar e andar o máximo que conseguisse e agora vou confessar ( desculpa Dr. Fernando) que andei muito pouco, fiz muita manha e dou Graças aos Céus que nada tenha me acontecido.

Mas gente, é verdade, eu não tinha forças para nada, andava 50 metros e já ficava tonta, doida pra voltar para a cama, mas não aconselho ninguém a fazer o mesmo, pois andar é muito importante no pós-operatório.

Ai começa a 2ª semana e a única mudança é naquela aguinha salgada, porque podemos bater tudo no liquidificador e coar bem coadinho para não sobrar nenhum pedacinho .... e mesmo assim eu nao conseguia engolir nada e todo mundo continuava me dizendo que eu ia ficar muito, muito fraca por falta e sal.

A aversão ao sal era tão grande que minha Tia ameaçava me fazer engolir a força, mesmo que colocasse tudo para fora e ainda bem que ela nunca cumpriu as ameaças.

Para vocês terem uma ideia de como era complicado esse negócio de comida salgada na Noite de Natal nós ( eu e minha mãe) íamos na casa da minha prima Erileine junto com toda a família e minha mãe ficou encarregada de fazer as saladas.

Quando as saladas ficaram prontas minha mãe me chamou para ver se estavam bonitas e assim que senti o cheiro da couve-flor as ânsias voltaram e voltei rapidinho para o meu quarto.

Conclusão, minha mãe ligou para minha prima e pediu para virem buscar as saladas, pois diante da minha reação a uma simples salada ficou claro que não aguentaria os cheiros dos Assados Natalinos ...... e assim passamos a Noite de Natal quietinhas em casa.

Logo conto como voltei a comer comida salgada .....


sábado, 2 de maio de 2015

DE LAGARTA À BORBOLETA

Sempre pensei no processo de emagrecimento como uma transformação tipo Gata Borralheira - Cinderela, mas agora que estou passando por ele minha visão mudou um bocadinho.

Eu já vinha pensando que essa alegoria não era a mais adequada, mas não conseguia achar outra que fizesse sentido, até que no Depoimento do Dr. Fernando ( último post publicado) ele cita que entre os médicos eles chamam a Operação Bariátrica de Operação Borboleta.

E então um luz se acendeu encima da minha cabeça ( lembram do Professor Pardal ????) e tudo ficou claro - o que fazemos é passar por uma metamorfose.

Começamos como uma Lagarta - e é verdade, pensem bem, enquanto estamos gordos estamos nos escondendo atrás de nossa gordura, roupas largas, extrema simpatia, nos escondendo de nós mesmos e da sociedade, tentando nos fazer invisíveis para não sermos engolidos pela industria da beleza e comendo alucinadamente para manter este status do jeito que está.

A Lagarta faz exatamente o mesmo - fica escondida atras das folhas para não ser engolida por seus predadores e vai comendo, comendo, comendo até virar um casulo.

Quando chegamos no limite de nossas forças tanto em peso quanto na saúde a nossa tendência é virarmos ou nos comportarmos como casulos.

Sim casulos, ficamos em casa, quietos, na frente da TV ou do computador, sem vontade de fazer nada e de ver ninguém, ou melhor querendo que ninguém nos veja, mesmo levantar para trabalhar é um grande esforço.

Nesse período estamos prontos para ficarmos doentes, depressivos, tristes e irmos nos encolhendo mais dentro de nós mesmos, ou seja, verdadeiros casulos.

Ai, um belo dia arrumados um motivo, que provavelmente será só a desculpa que utilizaremos - doença, dores, não achar roupa que serve ou outro qualquer, quando na verdade só queremos sair de nosso casulo e viver novamente, gostando de sermos olhados e admirados, tomamos enfim a decisão de operar do estômago e ai começa uma outra vida.

Em primeiro lugar a escolha do médico, nesse quesito tive muita sorte - fui a apenas um médico - Dr. Fernando Leal Pereira e decidi logo que ele seria meu cirurgião.

Após a escolha do médico, precisamos de laudos de psicólogo, nutricionista, endocrinologista, psiquiatra, cardiologista, pneumologista e endoscopia ( para constatar que o estômago é saudável).

Com os laudos positivos na mão a cirurgia é marcada e nossa nova vida começa.

Para a borboleta surgir do casulo não é um processo fácil, muito pelo contrário é cansativo, doloroso e solitário, pois se alguém ajudá-la a abrir as asas o processo é interrompido e ela morre sem voar, se arrastando no chão.

Conosco, não se enganem, o processo não é mágico e é também cansativo, doloroso e solitário.

Cansativo porque são exigidas forças que nem imaginamos que tínhamos, pois é necessário usar nossas energias armazenadas para continuar vivendo, já que por no mínimo 15 dias vivemos de líquidos - 1 copinho de café (50 ml) a cada 30 minutos ( gatorade, água de coco, água, suco coado e peneirado).

Cansativo porque nós nunca fizemos exercícios físicos e somos compelidos a exercícios aeróbicos e anaeróbicos para que no final sobre o mínimo de pele possível para ser tirada nas cirurgias plásticas reparadoras.

Dolorido, tanto física como psicologicamente.

Físico porque é uma cirurgia e a recuperação é lenta e também porque com os exercícios que não estamos acostumados são descobertos músculos que nunca antes imaginamos existir.

Psicologicamente porque não podemos mais atacar a geladeira ao menor sinal de ansiedade, tristeza, alegria, muito amor, falta de amor, cansaço, tédio, etc .... porque acreditem, para nós gordos, tudo é motivo para atacar a geladeira e devorar cada pedacinho de comida que tiver ali dentro e após a cirurgia qualquer atitude nesse sentido nos provoca um mal estar enorme.

Ainda psicologicamente, porque com o emagrecimento ficamos muito, muito felizes mas ao mesmo tempo ao olhar no espelho não reconhecemos aquela figura como sendo nós mesmos e isso sem contar que pessoas que sempre foram seus conhecidos de repente não te reconhecem.

Doloroso, ainda, porque nessa fase o Corpo emagrece muito mais rápido que a Cabeça ( que necessita que tratamento psicológico para emagrecer).

E falta falar do processo solitário, sim extremamente solitário, apesar das pessoas que te amam e da equipe multidisciplinar fazerem tudo para melhorar a sua vida o processo continua solitário, pois só nós sabemos como é difícil  resistir a um ataque à geladeira, a um doce maravilhoso ou até mesmo a uma simples bolachinha ..... 

Solitário porque por mais que as pessoas tentem nos ajudar ninguém pode passar por nossas experiências e temos que passar passo por passo e aguentar dia a dia, utilizando nossa vontade de triunfar, nosso foco nas instruções, e a nossa fé em Deus e em nós mesmos....

Mas, após todo esse período o que interessa é que a Metamorfose acontece e nós viramos verdadeiras Borboletas.
E quando viramos Borboletas não queremos mais ficar escondidas queremos sim nos mostrar para o mundo e tudo fica mais fácil.

Sair para passear não é mais um processo que exige um esforço enorme, pois qualquer roupa que colocamos fica bem e mais importante encontramos roupas para comprar em qualquer loja que entremos.

Trabalhar fica bem mais fácil, pois nos cansamos muito menos, principalmente pessoas como eu que não ficam somente paradas em um escritório, mas precisam ir visitar clientes, ir a Fóruns, órgãos governamentais e etc ....

Na verdade no final do Processo de Metamorfose queremos mesmo é ficar borboleteando de flor em flor, aproveitando para voar livres para onde quisermos. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

UM POUQUINHO DO MEU CIRURGIÃO

Depoimento Dr. Fernando Leal Pereira - 
Como me apaixonei pela Cirurgia Bariátrica 


Após escrever todos esses tópicos e conviver com o Dr. Fernando esses quase 5 meses pós-cirúrgicos eu fiquei me perguntando porque um médico que escolhe ser cirurgião ( que normalmente é um médico que gosta de resultados rápidos) escolhe se tornar um especialista em Cirurgia Bariátrica..

Pensem bem, o Paciente Bariátrico é um paciente para a vida inteira, pois mesmo após o período normal de acompanhamento cirúrgico tem que voltar anualmente ao consultório do cirurgião para consulta e exames, pois a pouca comida ingerida pode gerar a necessidade de implementação de vitaminas e nutrientes como ferro, cálcio, vitamina B12, etc ....

Com a pergunta martelando na minha cabeça não tive dúvida e pedi para o Dr. Fernando escrever um texto em que ele falasse do porquê ser cirurgião bariátrico e sua experiência para eu publicar neste blog e ele sempre generoso me presenteou com o seguinte depoimento:

" Estou envolvido com cirurgia bariátrica desde 1997 quando nessa época, procedimento que desde o início da década de 90 se ensaiava em nosso país. Nesse momento ainda era residente de cirurgia da Santa Casa de São Paulo e entre outras funções a mim atribuídas era ia até o metrô Santa Cecília "buscar" pacientes para serem operados. 

Aprendi na época com Prof. Dr. Carlos Malheiros todos os passos que são literalmente repetidos "ipsis litteris" até hoje (exceto pela não colocação do anel que outrora era rotina). E pela imenso volume que a Santa Casa proporcionava pude participar do início do procedimento na instituição.

Impossível para qualquer cirurgião (especialista de resultados) não se maravilhar com as alterações físicas e psicológicas dos pacientes em pós-operatório e seguramente a paixão fica inevitável! 

Na época já era bastante envolvido com a cirurgia minimamente invasiva e mal podia esperar para somar a cirurgia da transformação em borboleta* com o benefício que a laparoscopia oferece. E em 2002, já passava de 70 cirurgias abertas, fiz minha primeira Gastroplastia laparoscópica que, por uma dificuldade técnica, levou 8 horas para ser realizada!

Nessa época já dispúnhamos de acompanhamento psicológico (o nutricional era por nossa conta), e sendo a psicóloga muito interessada na "nova técnica cirúrgica", tínhamos um excelente relacionamento e compreensão da sua importância nesse período tanto pré como pós operatório.

Em meados de 2003 convidamos uma nutricionista para fazer parte da equipe e tudo se mantém no mesmo formato até hoje. Ass.: Fernado Leal Pereira - Cirurgião do Aparelho Digestivo, CRM 90510 - SP, Presidente Prudente/SP"

Assim, após a leitura desse depoimento apaixonado de um Cirurgião só me resta dizer : Muito Obrigada Fernando por sua eterna generosidade e cuidados despendidos a nós, seus pacientes...

* Cirurgia da Transformação em Borboleta - nome dado à cirurgia bariátrica pelos cirurgiões, já que passamos de casulo (antes da cirurgia) à borboleta 9 pós-cirúrgico.



segunda-feira, 27 de abril de 2015

OPERAÇÃO BARIÁTRICA - PARTE 3 ( O Sábado Pós-Operatório)

Quando terminei o último post sobre a operação eu estava na UTI ( era sábado, dia 13 de dezembro de 2014).

Após a constatação de que eu estava tendo uma hemorragia e meu rim não estava funcionando satisfatoriamente, começou uma romaria de pessoas me picando para tirar o meu sangue e realizar os exames necessários ( que de verdade não tenho ideia de quais eram - só sei que precisavam achar minha veia para tirar sangue).

Então, achar veia e tirar sangue se tornou uma tarefa completamente hercúlea, pois elas simplesmente resolveram desaparecer.

Enfim, vamos do começo.

O Dr. Fernando resolveu que iria esperar para ver se conseguia não me submeter a nova cirurgia e neste momento eu tinha uma agulha enfiada na minha mão esquerda, por onde passava o soro para me hidratar, já que depois da cirurgia qualquer golinho de água pode ter consequências catastróficas ( fistulas e outras coisas).

O Fernando deixou as prescrições para os exames a serem efetuados e fiquei na companhia dos Anjos da UTI do Hospital Nossa Senhora das Graças.

Logo após era horários de visitas (11:00H da manhã) e minha Mãe e minha Tia Lola vieram me visitar e como eu estava aparentemente bem, foram embora até que sossegadas.

Após a visita começou a romaria para tirarem meu sangue e ai começou tudo.

Minhas veias decidiram por bem que iriam dar uma voltinha, porque ninguém conseguia achá-las.

Vinha um, vinha outro e mais outro, até que dentre as tentativas de achar a tal da veia para tirar sangue a agulha que estava na minha mão esquerda saiu da veia e então eu fiquei não só sem veias para tirar sangue e fazer exames, mas também sem entrada de hidratação e sangue ( lembrem que eu  estava tendo uma hemorragia e portanto precisava repor sangue).

Bom, isso tudo aconteceu por volta das 13:00H e ai .... Eu ia dizer neste momento que comecei a ficar preocupada mas não seria verdade, eu estava sendo tão bem cuidada pela equipe de técnicos e enfermeiros da UTI  e pelo Dr. Arnaldo e claro pelo Dr. Fernando que sabia que alguma solução seria encontrada.

Então, primeiro veio o Dr. Arnaldo, tentando pegar uma veia, artéria, seja lá o que for no meu pescoço ( e para isso eu precisava ficar de ponta cabeça ) e quando colocavam a cama na posição necessária ( eu de cabeça para baixo) eu entrava em pânico e tinha ânsias de vômito - condição que o impossibilitava de trabalhar.

Em segundo veio o Dr. Fernando e então eu relaxei, sabia que daria certo - não deu, ele tentou entrar com um agulha pela minha clavícula e depois de me furar várias e várias vezes chegou à conclusão que meu osso era completamente fora de padrão ( muito grande ) e que às cegas ele poderia furar meu pulmão, provocando um dano bem maior do que o que se apresentava naquele momento.

Bom até esse momento eu tinha levado tanta picada que se pudesse tomar água eu viraria um chafariz ..... rsrsrsr, mas brincadeiras à parte, diante da dificuldade de achar minhas veias o Fernando resolveu chamar uma anestesista ( médica especialista em achar veia).

Veio a anestesista - Mariana Takaku,  e tentou achar a veia no meu pescoço, no meu braço e no fim conseguiu pegar uma veia no meu pé.....

Neste momento, enquanto a anestesista trabalhava eu só enxergava o Dr. Fernando, de braços cruzados, semblante sério acompanhando tudo .... e só podia agradecer pela sua presença tranquilizadora neste momento tão difícil.

Felicidade total - eu tinha um local por onde poderia entrar tanto o soro para hidratação ( eu já sentia o ressecamento dos meus lábios ) e do sangue.

Sei que neste momento era por volta das 17:00H porque novamente era horário de visita e quando minhas "Anjas" ( Mãe e Tia) vieram me visitar o Dr. Arnaldo foi logo dizendo que aquela agulha no pé não ia durar muito, imagina só o "banho de água fria" que eu levei nesse momento só de imaginar todo mundo me picando de novo .... pois bem ......

Por volta de 30 minutos após a premonição do Dr. Arnaldo o que ele disse realmente aconteceu, no momento que foram aplicar um medicamento na veia algo aconteceu, porque enquanto o medicamento entrava eu gritava de dor.... Veio todo mundo correndo e lá estava a agulha tinha escapado......

Vem o Dr. Arnaldo, tenta novamente pegar uma veia no meu pescoço, mas nada, eu até estava mais calma e uma técnica de enfermagem que estava lá naquele momento conseguiu me acalmar para ele realizar a tentativa que novamente foi infrutífera.

Enfim, já estava completamente cansada e desanimada, sem saber o que ia acontecer, dormindo e acordando ( de tão cansada que estava) quando chegou o Dr. Eduardo Balizardo dizendo que o Fernando ( e que ele só estava ali no sábado às 19:00H porque o Fernando que havia pedido) pediu para que ele dissecasse uma veia minha ( ou seja, ele iria abrir o meu braço, procurar uma veia e colocar uma agulha).

Por mim, naquele momento ele poderia cortar até minha barriga que eu não ia ligar, só queria que parassem de me picar.

Mas, o Dr. Balizardo antes de dissecar a veia pediu para me picar mais duas ou três vezes para tentar pegar uma veia no pescoço e claro que eu deixei, para quem já tinha sido picada o dia inteiro não iria fazer muita diferença.

E lá foi o todo o procedimento novamente, me deixaram de cabeça para baixo e lá veio a técnica de enfermagem novamente me acalmar e distrair, enquanto o Dr. Balizardo procurava uma veia no pescoço e então eu ouvi a frase mais linda do dia - ENTREI, AGORA PODE COLOCAR O QUE QUISER QUE VAI DESCER IGUAL MANTEIGA.... e nesse momento eu soube que tudo ia dar certo.

Ao responder a pergunta do Dr. Arnaldo o Dr. Balizardo disse que tinha conseguido entrar em uma veia que chama Inominada ..... rsrsrsr ...... (também não sei que veia é essa).

Bom após ter encontrado a veia e ter colocado o Intracath, colocaram para "correr" o soro ( nem sei quantos litros) e que eu me lembre eu recebi 3 bolsas de sangue, uma atrás da outra e logo estava completamente recuperada.

O Dr. Arnaldo, após estar tudo bem, me disse que eu estava de parabéns e que era uma pessoa muito forte, pois se fosse ele tinha estressado com todo mundo .... rsrsrsr 

E eu penso que não sei se sou forte ou resignada, mas na realidade é que o tempo todo eu confiei muito na equipe que estava cuidando de mim, principalmente no Fernando, que não poupou esforços para me manter calma durante todo o procedimento.

Bem, foi assim, o  meu dia após a cirurgia, nem senti muito a falta de água, pois estava bem preocupada com outras "coisinhas" que estavam acontecendo.

Para terminar esse post quero agradecer às seguintes pessoas: Dr. Fernando Leal Pereira, Dra. Mariana Takaku, Dr. Eduardo Balizardo, Dr. Arnaldo e sua equipe maravilhosa da UTI do Hospital Nossa Senhora das Graças .....

Enfim, sim eu faria tudo de novo, mesmo se soubesse de tudo que iria acontecer......


o pré - operatório

quarta-feira, 22 de abril de 2015

SESSÃO COM PSICÓLOGA - Dependência Psicológica do Médico

Sim, para começarmos, é verdade que as sessões com o psicólogo são secretas, mas como eu sou a dona dos problemas, resolvo o que pode ser contado ou não. 

Neste tópico, vou falar de um problema que me deixa inclusive envergonhada, mas como está acontecendo comigo, pode estar acontecendo com outras pessoas.

A sensação que vou expor aqui me pegou tão desprevenida que precisei inclusive marcar uma sessão extra com a psicóloga para entender o que estava acontecendo.

Na verdade, tive duas sessões para tratar do assunto, uma com a Maria Olivia e outra com a Léa ( minhas psicólogas).

No dia 06 de abril houve a Reunião de Peso que foi excelente, mas essa é outra história.

Após a reunião o Dr. Fernando, em conversa informal me contou que ia viajar no dia 13 de abril e ficaria fora até o dia 22, ainda brinquei com ele que era bom mesmo eu saber para não ter nenhum problema nesse período, mas .... o problema foi maior do que eu imaginava.

Vamos começar do começo: desde a minha operação em 12 de dezembro eu tive vários problemas - hemorragia, infecção, aderência, rompimento de ponto do intestino, cicatriz aberta e em todos esse problemas o Dr. Fernando sempre esteve do meu lado.

Pois bem, 15 dias após a cirurgia bariátrica em dezembro eu tive febre e foi constatada uma infecção ( depois conto os pormenores desta história) e era exatamente um dia antes do Dr. Fernando sair de "férias de final de ano" e Graças à Deus deu tempo dele cuidar de mim.

No dia 13 de abril iria fazer dois meses da minha segunda cirurgia - aquela provocada pela Aderência ( historia já contada). 

Então, meu inconsciente deu um jeito de me fazer pirar. 

Eu não conseguia pensar direito, pois o único pensamento que vinha era que se me acontecesse alguma coisa nesse período eu estaria completamente desassistida e desamparada, mas como sou uma pessoa extremamente racional logo tirava esse pensamento da cabeça me lembrando que existia na minha cidade mesmo um outro Fernando muito competente - no caso de eu precisar voltar para a mesa de operação.

Bom, o negócio é que eu conseguia parar o pensamento de desamparo, mas não conseguia que ele não voltasse e cada vez que ele vinha eu literalmente entrava em pânico até lembrar de me controlar.

É claro que não é um problema causado por mim  e muito menos pelas atitudes do Dr. Fernando, é simplesmente uma consequência que ocorreu por causa das várias intercorrências que tive depois da cirurgia.

Precisamos lembrar que o Cirurgião que escolhe ser um Especialista em Operação Bariátrica resolve também que vai cuidar de seu paciente como um todo e que vai acompanhar essa pessoa para sempre e o Dr. Fernando é simplesmente um mestre na arte de cuidar do seu paciente.

Enfim, o período de férias do meu cirurgião passou, ele já está de volta e nada aconteceu comigo, mas serviu para eu perceber essa dependência e o tanto que preciso trabalhar para que isso não se torne patológico e para isso conto com a ajuda preciosa das psicólogas.

Quanto ao Dr. Fernando, ele vai descobrir essa piração juntamente com vocês e provavelmente vai ter certeza que operou uma paciente completamente "doida", mas que percebe a tempo que está pirando e procura ajuda.

Enfim, mais uma vez obrigada às pessoas que estão caminhando comigo essa estrada de novidades, loucuras e reconhecimento de mim mesma.