Vida

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quarta-feira, 10 de junho de 2015

COMO ACREDITAR ......

Durante toda uma vida eu fui gorda e durante toda essa vida várias dietas foram tentadas e nada foi resolvido.

Durante toda uma vida nós gordos sempre percebemos que a cada início de dieta todos a nossa volta sempre nos olham com descrença, sempre pensando – não vai dar certo.
Penso que na realidade a cada início de dieta, nós gordos nunca acreditamos em nós mesmos, sempre pensamos – até quando eu vou conseguir ???

Hoje, sozinha na estrada, refletindo sobre isso penso que essa descrença na nossa capacidade de conseguir fazer a dieta se aprofunda em nossa mente e nos torna descrente de todas as nossas capacidades.

O problema disso tudo é que quando operamos, essa decisão tem que ser definitiva e as outras pessoas continuam não acreditando na nossa capacidade de fazer dar certo.

É impressionante que, sem exceção, cada pessoa que fica sabendo que fizemos a tal operação bariátrica tem uma história para contar e não pensem que essa história é sobre alguém que teve uma vitória e sim sobre alguma derrota contundente.
Sim, é mais ou menos assim :

“você operou, nossa eu li que um grande número de pessoas depois que operam viram alcoólatras” ....

“você operou, tenho um amigo que emagreceu um monte, mas agora engordou tudo de novo”...

“você operou, não acredito meu amigo depois que operou só vomita, não consegue comer nada”

E, ainda tem os mais próximos:

“seu prato está muito cheio, não vai caber no seu estômago – estou falando só pra ajudar”

“Ana Paula, chega, já está bom” e na verdade estou pegando a segunda rodela de tomate.....

“você está comendo muito pouco, vai ficar com anemia”

“vai continuar emagrecendo, já está bom” e você sabe que ainda faltam bons 15 kilos pela frente

“você está fazendo muito exercício”

“você não está fazendo nada”

“acho que isso está acontecendo porque você não obedece o médico” – mesmo todo mundo sabendo que só faço o que o médico manda

Enfim, fazemos a operação mas as pessoas ainda olham para nós com aquele olhar de descrença – tendo certeza que de uma hora para outra nós vamos jogar todo esse sofrimento no lixo e voltarmos ao nosso bom status de gordas felizes.


Eu sei que cabe a nós mudarmos esse olhar que as pessoas tem e é por esse motivo que procuramos forças em nosso médico, nossa nutricionista e nossa psicóloga, que são dentre todos, aqueles que realmente acreditam na nossa possibilidade de dar certo.

terça-feira, 9 de junho de 2015

SE AMANDO PARA PODER AMAR ....

(participação mais que especial de Luanna Catina)

No dia 01 de junho de 2015, durante nossa preciosa Reunião de Peso ( que vocês já conhecem) alguém teve a idéia de montarmos um grupo de WathsApp e assim aconteceu o início de várias amizades e várias histórias.

O pessoal do grupo está super animado e algumas histórias chamam a atenção de todos e por isso resolvi que com a ajuda preciosa de quem as viveu começar a publicar neste local as histórias de outras pessoas, pois como ficará claro cada experiência é uma vida diferente, uma emoção diferente, um amor diferente.

No caso de hoje temos a Luanna, pessoa super especial com uma história linda que será contada por ela mesma:

“Há 3 anos eu me olhava no espelho e não entendia como tinha chegado aos 135kg... a menina magra, apelidada de “cu seco” pela família estava imensamente obesa. Primeira crise depressiva aos 19 anos e uma ansiedade monstruosa que se transformava sempre numa compulsão alimentar mais forte do que eu mesma tinham me ajudado a estar tão gorda. Gorda mesmo, porque ninguém diz: “nossa, como ela e obesa”... desde os 19 anos tentava emagrecer e engordava sempre mais. Tomava mil remédios... todos os lançamentos da indústria farmacêutica... tomei até xenical, vivia me borrando, literalmente! Tive crises de tomar anfetaminas com whisk, tive crises de comer barras de chocolates, tive crises de fazer regimes malucos e desmaiar... fui em clínicas de estética, gastei fortunas, fiz lipo, fiz peito... fiz drama. Emagreci e engordei mil vezes... bati o carro drogada com anfepramona, fiz de tudo... até que engravidei. Tudo mudou. A palhaçada tinha que acabar, afinal, alguém crescia dentro de mim. Fui à nutricionista... nesta época eu já estava em tratamento psicológico, já tinha entendido que estava doente, só não conseguia mudar. Mas ai tudo mudou. Nada de remédios, nada de abusos, alimentação saudável e muito esforço, mais pela minha filha, do que por mim. Ela nasceu e eu me divorciei, se findava um ciclo de dor muito profunda, e de cicatrizes doloridas, e aí eu engordei pra valer... foi então que entendi que pra cuidar da minha filha eu precisava estar bem e resolvi procurar um cirurgião e fazer a redução do estômago. Pra minha surpresa, nos exames pré operatórios, descobri que estava com o coração inchado... foi o início de mil exames, até cateterismo eu fiz (experiência mortal) e veio o diagnóstico. Eu adquiri miocardiopatia dilatada... não sei se foram as anfetaminas ou qualquer outra causa. Sei que a pressão extremamente alta e o coração fraco não permitiram que eu fizesse a cirurgia. Meu cardiologista me incentivava a emagrecer! Vamos emagrecer um pouco pra poder operar. E nada... me cadastrei em uma empresa de produtos de emagrecimento que promete vida saudável e comprei uma fortuna em shakes e outros produtos. Passei a me alimentar de shakes e tabletes. Queria emagrecer! Quanto mais fome eu passava, mais eu engordava. Quanto mais engordava, mais dores eu tinha, mais ofegante eu ficava, mais depressiva eu estava. Já não via mais solução. Estava perdida. A única coisa que eu queria era criar a minha filha e eu nem conseguia brincar com ela... Alguns anos se passaram e a situação chegou no limite. Meu cardiologista me indicou o gastro cirurgião Dr. Fernando Leal e me disse que a única saída era a cirurgia de redução do estômago. Foi claro em me dizer que eu poderia morrer na cirurgia, mas que da mesma forma, poderia morrer dormindo, ou andando... eu estava tão mal que o risco era praticamente o mesmo. Marquei uma consulta e quando cheguei ao consultório, em meio a toda a minha ansiedade, ele me disse: “me conta tudo, desde o inicio”, e se acomodou na poltrona... Eu ri por dentro, e respondi que “tudo” era muita coisa, e então ele sorriu e disse que não estava com pressa. Naquele momento eu sabia que seria ele. Depois que contei “tudo”, ele me disse que iria me operar, que era pra eu tentar emagrecer, ou pelo menos não engordar... No dia “D” eu estava com 127kg. Estava com medo. Muito. Pedi a DEUS pra me permitir criar a minha filha. Escrevi uma carta e coloquei no fundo da minha mala, endereçada à minha mãe, para ler somente se eu morresse. A pressão estava alta, e não paravam de me enfiar remédio embaixo da língua. Seja o que DEUS quiser. Me entreguei. Lembrava de tudo, tinha vontade de chorar, pensava na minha menina, na minha mãe. Tudo escureceu e acordei mais tarde, na UTI do Hospital Iamada. Não sabia se estava viva. Mal conseguia respirar. Doía tudo! Morri! To num hospital no plano espiritual... Tinha alguém gritando perto de mim, e isso me dava a certeza de que tinha morrido. E agora? Então, uma moça se aproximou e estava com um crachá do hospital. Será que eu estava viva?? E minutos depois, ou horas, não sei bem, o Dr. Fernando apareceu, todo sorridente, me dizendo pra eu não estranhar o tamanho do corte na minha barriga, porque ele tinha tido que me operar bem rápido e precisou abrir um pouco mais... 500 indagações me vieram na mente, mas não perguntei nada. Eu confiava nele. Fiquei um pouco mais de um dia ali, depois fui para o quarto, e a pressão ainda estava muito alta, dando trabalho pra todo mundo. Que dor. Que desespero... O que eu fiz da minha vida? Passei a semana toda no hospital, até poder tomar meus remédios pro coração e a pressão abaixar um pouco. Fui pra casa da minha tia e ali tive uma ótima recuperação. Os meses passavam e eu emagrecia. O cabelo caía e eu emagrecia. As dores diminuíam e eu emagrecia. O coração melhorava e eu emagrecia. Hoje peso 86kg. Não voltei a ser magricela não! Mas estou saudável. A função cardíaca melhorou. O coração diminuiu um pouco, e eu tenho uma vida normal. Como de tudo! Não passo mal! Passo longe de tudo que é tarja preta. Em outubro completarei  4 anos de cirurgia e sempre me pergunto se estaria viva, caso não tivesse operado. A ansiedade não mudou. Encontrei uma psicóloga aqui na minha cidade e faço terapia. Faço atividade física. Brinco com a minha filha. Minha vida mudou da água pro vinho. Agradeço à DEUS, à Fátima (minha primeira psicóloga), e aos meus médicos, o cardiologista Dr. Adriano, e o Dr. Fernando... sempre! A carta que levei no fundo da mala, eu rasguei e joguei no lixo, afinal, eu não morri! Até hoje não sei bem o que houve na cirurgia, qual foi a complicação exatamente. Mas também não quero saber, por isso não perguntei ao meu cirurgião. Como eu disse antes, eu confio nele, e prefiro focar minha atenção no presente. O que passou, já era! E hoje, me olho no espelho e entendo perfeitamente como cheguei aos 135kg e tudo que tenho que fazer para me manter em um peso saudável.  Hoje eu entendo o quanto minha filha é importante e vejo nela um motivo para lutar, mas já entendi que tenho que me amar em primeiro lugar. Quem não se ama, não consegue dar amor. Cuidando de mim mesma, posso cuidar dela de uma forma muito melhor. Acredito que tive uma chance, e agradeço por isso, diariamente.”

Acabo de escrever esse artigo extremamente emocionada, pois não canso de ler a história dessa guerreira, que percebeu que amando a si mesma seria muito melhor para as pessoas ao seu redor.

Parabéns Luanna por sua luta, mas principalmente por sua Vitória....

E como não agradecer ao Fernando, nosso cirurgião por nos dar a chance de nos conhecermos..... Obrigada Fernando – sempre....



domingo, 7 de junho de 2015

REUNIÃO DE PESO 2 - fevereiro de 2015

( Psicóloga: Maria Olivia Belfort)

Eu já falei bastante de como e quando ocorrem as nossas Reuniões de Peso e por isso vou pular essa parte.

O que interessa é que a cada reunião que eu frequento fica mais clara a sua importância, pois por vezes eu e os outros pacientes chegamos lá desanimados, descontentes com os resultados alcançados e após ouvir o profissional palestrante, tirar nossas dúvidas e conhecer outras pessoas maravilhosas, realmente saímos de lá com nossa força de vontade renovada.

Em fevereiro de 2015 a palestrante convidada foi a Maria Olivia Belfort – psicóloga da equipe do Dr. Fernando, que nos acompanha no pré e pós-operatório.
Importante aqui destacar que sem o consentimento de uma psicóloga e de preferência da Maria Olivia o Dr. Fernando não opera ninguém.

Neste dia em especial a palestra foi sobre o preço que temos que pagar a cada escolha que fazemos na nossa vida, e claro falamos do aqui do preço psicológico e não monetário.

Foi super interessante, pois ali naquele local, várias pessoas falaram e pudemos perceber a diferença entre nós.

Para algumas pessoas o preço está sendo bem alto, tendo que driblar várias outras compulsões e vícios, como por exemplo, bebidas alcoólicas, doces e bebidas alcoólicas, tendo inclusive que fazer tratamento psiquiátrico para se equilibrar.

Para outras o preço foi até bem barato, conseguindo ultrapassar todo o pós-operatório sem grandes dilemas e frustrações.

Para mim, não sei se é pelo modo que encaro normalmente os obstáculos o preço está sendo muito barato e olha que os obstáculos não foram poucos, conforme vocês sabem pelas leituras anteriores.

Mas encaro da seguinte forma, os benefícios são tão grandes que na balança do custo-benefício o preço final é quase de graça.

Cada vez que me olho no espelho fico feliz e isso já não acontecia há muito tempo.

Hoje, já consigo voltar a me interessar por pessoas que possam resultar em um relacionamento, e o mais engraçado é que não importa se vai ou não rolar, o que interessa na realidade é que a minha segurança está voltando e me vejo capaz de cativar outra pessoa.... enfimmm FELIZ !!!!!!

Enfim, essa Reunião de Peso foi super legal, porque  conseguimos nos comunicar e assumir em público várias dificuldades, problemas, alegrias, desculpas utilizadas resultando num conhecimento muito maior de nós mesmos e do que nos espera se não tomarmos cuidado conosco diariamente....

E aqui se aplica uma frase que normalmente utilizamos em outras ocasiões, mas para nós bariátricos é extremamente útil – precisamos diariamente nos vigiar para que nada dê errado na nossa caminhada....
Beijos a todos e que essa caminhada, não só do paciente bariátrico mas de qualquer ser humano, seja vitoriosa !!!!!

domingo, 31 de maio de 2015

NAQUELA MESA

Ao ler o título todos devem ter pensado que seria mais um post  sobre comida, mas na verdade é um texto sobre o meu pai.
Meu pai se foi há 8 anos e posso dizer que a saudade que sinto dele somente aumentou nesse período.
Normalmente falamos das pessoas que se foram no passado, mas vou pedir licença para vocês para falar do meu pai no tempo presente, pois ele está presente a cada dia da minha vida, me auxiliando e apoiando nas minhas decisões, me pegando no colo durante minhas tristezas e angústias, me forçando a sonhar sonhos possíveis e impossíveis.
O Zélão, como é conhecido por todos é uma pessoa fantástica sempre sonhando e fazendo as pessoas sonharem sonhos possíveis e impossíveis, sempre trabalhando para cuidar do sustento de seus queridos : minha mãe, eu e meu irmão, sempre pronto para estender a mão para aqueles que o procuram, sempre pronto para ter idéias para melhorar não só o seu mundo, mas também o mundo de todos.
Meu pai me ensina a cada dia que a gratidão é uma das melhores qualidades que o ser humano pode ter e eu procuro levar isso como meu lema.
Meu pai me ensina que perdoar é algo que devemos fazer para que nosso dia-a-dia fique muito melhor.
Meu pai é a pessoa que me ensina que a mágoa serve apenas para nos deixar doente.
Meu pai, principalmente, é a pessoa que me ensina a confiar incondicionalmente no próximo, pois não importa se ele está nos fazendo bem ou mal no fim aquela atitude, se você agir da forma certa, vai te fazer crescer como ser humano.
Tem uma música que sempre que ouço me lembro dele com alegria e carinho e foi dela que tirei o título deste post.
O Zélão é um homem de mesas, mesas de escritório, mesas de jantares, mesas de barzinhos, mesas fartas de comidas e de idéias, mesas onde podemos sentar e conversar sobre qualquer assunto, pois nada o deixa magoado, nada o deixa estupefato, ele é um homem destituído de preconceitos e que aceita as outras pessoas exatamente como elas são e só sei de uma coisa que ele não suporta: ele não suporta que gritem com ele ( o que não deixa de ser engraçado, pois ele é surdo ), pois todo o resto do amor à traição, da verdade à mentira ele sempre vai ter certeza que a pessoa tem uma boa razão para estar agindo daquela forma e antes de julgar vai tentar compreender o que está acontecendo.
Enfim, o Zélão, esse homem que tentei aqui descrever para vocês é o meu pai, que foi embora muito cedo, mas que no tempo que tive a honra que estar em sua companhia me deu o seu melhor: SUA SABEDORIA!!!!
Zélão, que com certeza está neste momento muito feliz por toda essa transformação que sua filha está passando e que do lugar onde está, está abençoando cada passo e cada pessoa que esta me auxiliando.
Pai, obrigada a você por eu ser quem eu sou .....

Naquela Mesa
Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
E a saudade dele sempre bate em mim .... 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A MÁGICA DA CIRURGIA

( participação Dr. Fernando Leal Pereira)
Atualmente existem mais e mais pessoas se submetendo à cirurgia bariátrica e realmente existem algumas que acham que depois da cirurgia tudo acontece como mágica e essa não é bem a verdade.
Lembro que há oito anos atrás, quando minha prima fez a cirurgia ainda existia um medo muito grande por parte de todos, pois essa cirurgia era considerada extremamente perigosa e o pós-operatório algo encarado como completamente insano, coisa de doido.
Mas o tempo foi passando, as pessoas foram encarando a cirurgia como um tratamento extremamente válido e assim mais e mais pessoas tem se submetido ao procedimento.
Existem vários tipos de cirurgia, que não vem ao caso explicar aqui, mas quem quiser saber é só acessar o site :
Eu fiz a cirurgia “Bypass Gástrico, Derivação Gástrica em Y de Roux” cujo procedimento pode ser assistido no link : 
Bom pequenas elucidações à parte, o que importa nesse momento é que as pessoas saibam que a cirurgia bariátrica, seja ela qual for, não faz milagres ela é sim um instrumento muito forte para nos ajudar a alcançar nossas metas.
É importante também as pessoas saberem que se não houver uma mudança radical de vida a cirurgia vai simplesmente ser jogada no lixo e a pessoa vai voltar a engordar e vamos ser sincero, a culpa não é que a cirurgia escolhida foi a errada, não é do médico e não é da equipe multidisciplinar que nos acompanha ( ou deveria acompanhar a todos os operados) e sim a culpa é única e exclusiva da pessoa que se submeteu a cirurgia e não modificou sua maneira de pensar e de ver a vida.
As pessoas costumam dizer que nós operamos o estômago e não a cabeça, apesar de ser verdade eu penso que devemos modificar essa afirmação, devemos operar a cabeça antes de operar o estômago, ou seja, quando operamos o físico devemos estar preparados para as mudanças que nos serão exigidas, tanto no campo físico quanto no emocional.
Eu por exemplo já comecei o tratamento psicológico e exercícios físicos antes da cirurgia e depois dela só os intensifiquei.
Outro dia estava aqui em casa escrevendo outro artigo e fiquei pensando como deve ser isso na cabeça dos cirurgiões e como só conheço um mandei um e-mail para o Dr. Fernando Leal Pereira com a seguinte pergunta:
"Eu fico escrevendo e do nada vem algumas dúvidas.
Quando um cliente chega no meu escritório eu consigo visualizar todo o procedimento e o processo que está na minha frente e ai fiquei pensando:
Quando a gente chega no seu consultório, gordas, doentes e com esperança, o que passa na sua cabeça? Você fica imaginando como será o final dessa história?
'Como se processa isso?"
E a resposta dele foi:
"Cada vez mais eu tento não adivinhar.
Antes eu ia muito longe.
Hoje o imediatismo global, fez com que houvesse uma banalização da cirurgia, ou seja, são poucas as pessoas que realmente chegam “preparadas” para a NOVA vida.
Ultimamente tenho feito uma consulta diferente. Se a paciente tem um peso daqueles não tão significativo e com historia relativamente recente de obesidade, estendo minha consulta para convencê-la que ela não toma nenhum medicamento e que ela engordou a pouco mais de dois anos e que ela deveria tentar assumir as rédeas da vida novamente ao invés de correr riscos e ter que tomar vitamina o resto da vida. Já consegui reverter uns 25% das pacientes só esse ano. Fico bem feliz com isso.
Sou muito adepto à frases de cirurgiões antigos e aqui cabe mais uma delas: O cirurgião demora 10 anos para aprender a operar, outros 5 para aprender re-operar e outros 5 para aprender a não operar. Encontro-me nessa fase.
Mas tem umas sim, bato o olho e já viajo em como ficará em 1 ano - é muito legal isso também!"
É por essas e outras que digo que devemos antes de pensar na cirurgia, pensar em nós mesmos como pessoas em franco crescimento e dispostos a modificar integralmente nossas vidas e na cirurgia como um instrumento poderoso de modificação, mas nunca um milagre que está ao alcance de nossas mãos.
Para finalizar, agradeço ao Dr. Fernando por sua sensibilidade, generosidade, posicionamento ético e por ter escrito este artigo comigo. Obrigada.....

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O OBESO, O EX-OBESO E A TEORIA DA RELATIVIDADE

Lendo o título deste post vocês devem estar pensando que enlouqueci de vez, mas provarei que na verdade a Teoria da Relatividade tem tudo a ver com nós que sofremos essa drástica transformação tanto corporal como psíquica.

Uma das maiores dificuldades que o obeso enfrenta na sua vida é o tamanho das coisas, sim tudo para nós no período obeso, por maior que seja, é pequeno.

  • Os cobertores, preferimos os tamanho King.
  • As cadeiras de preferência sem braços para que possamos sentar mais confortavelmente sem nada nos cutucando.
  • Andar de ônibus é um verdadeiro suplício, pois as poltronas são pequenas e o espaço entre elas é minúsculo para que nossas grossas pernas possam se acomodar.
  • Cinema, pensamos várias vezes antes de encarar, pois assistir um filme sentada de lado não é nada agradável.
  • Nossas camas são de preferência cama de casal ou king, para que nossos corpos possam relaxar sem medo de cair no chão.
  • Roupas então, um verdadeiro suplício, já que precisamos frequentar lojas que vendem roupas de tamanhos “especiais” cujos preços são mais especiais ainda.
  • Restaurantes, preferimos os self-service,  pois poderemos comer à vontade por um preço razoável para nossos parâmetros, já que os “por quilo” e “a la carte” sempre ficam mais caros.

Ai, de repente, não mais que de repente resolvemos nos submeter a uma cirurgia que mudará dentre outras coisas a nossa visão do mundo.

O emagrecimento rápido ao qual somos submetidos – 39 kilos em  7 meses – nos faz enxergar o mundo de uma forma completamente diferente e então começamos a pensar da seguinte forma:
  • Os cobertores de repente ficam muito grandes e desconfortáveis e começamos a procurar pela casa cobertores de tamanho menor, para podermos dormir sem nos enrolarmos inteiro neles.
  • As cadeiras podem ter o braço que quiserem porque agora cabemos em qualquer uma delas.
  • Andar de ônibus passa a ser um prazer, pois  tanto as poltronas quanto os espaços são mais que suficientes para ficarmos confortáveis. Não falo de avião, pois este mesmo para os magrelos continua sendo um suplicio....
  • Cinema, queremos de uma hora para outra assistir a todos os filmes que estão em carta.
  • Nossas camas ficam imensas e portanto muito mais confortáveis, pois só um doido prefere uma cama pequena a uma cama enorme....
  • Quanto às roupas o suplício passa a ser outro, em toda loja que você entra existe roupas que cabem em você e exatamente do preço que cabe no seu bolso e então se você não tomar cuidado sua conta do cartão de crédito vai para os céus.
  • Já os Restaurantes, no dia-a-dia só queremos os “por quilo” pois qualquer outro vai ficar muito caro para o pouco que você come .... Uma das melhores sensações é você colocar a comida no prato, pesar e verificar que o seu prato nunca ultrapassa os 0,200 gramas e provavelmente vai sobrar comida no prato.

E é por essas e outras que me lembro de Albert Einstein e sua teoria – pois realmente tudo nesse mundo é relativo – o que era pequeno ficou grande, o que era apertado ficou largo e isso sem contar o centro de gravidade, mas essa história vai ficar para outra hora .....

Não falei que Einstein tinha tudo a ver conosco, pois é TUDO NESSA VIDA É RELATIVO .....

terça-feira, 12 de maio de 2015

UMA PAUSA PARA UM DIA ESPECIAL

Hoje fiquei o dia todo com este post na cabeça, me martelando perguntando se não ia escrever nada, como se ele tivesse vida própria.

Depois de passar o dia todo pensando sobre isso, só agora me sobrou um tempinho para falar do dia de hoje.

O que tem de importante nesse dia é o seguinte: Há exatos 5 meses atrás eu estava sendo submetida à operação bariátrica.

Exatamente, hoje eu e meu estomaguinho ( como o chamo carinhosamente) estamos fazendo aniversário e nos rejubilando com essa nova e serena convivência.


Exatamente isso nesses cinco meses nos demos muito bem, todos os alimentos que experimentei ( desse todos existe claro uma exceção – bebidas com gás ) foram bem aceitos por meu pequeno estomago e, portanto a única coisa que mudou na minha vida foi a quantidade comida ingerida.


É verdade que a qualidade também mudou, pois agora tenho uma alimentação mais balanceada, que está sendo monitora pela Patrícia Zacharias – uma super nutricionista que tem me acompanhado desde antes da operação e vem adequando a alimentação exatamente às minhas necessidades.


Nesses cinco meses fui a festas de criança – de aniversário – de casamento, churrascos, bares, restaurantes e sempre, sempre mesmo me sai muito bem, sem comer e beber exageradamente e sem passar mal nenhuma vez.


Além da mudança na alimentação, nesses cinco meses tenho me redescoberto a cada dia, descobrindo sonhos que estavam adormecidos, novas vontades, novos sonhos e por fim tenho adorado escrever esses artigos e é claro essas mudanças estão sendo acompanhadas de perto pelas psicólogas Lea Maria Vieira e Maria Olivia Belfort.


Os artigos que  vocês lêem nesse blog estão também sendo publicados no Jornal Interativo, então após a cirurgia descobri mais essa faceta – sou uma escritora, blogueira e colunista de jornal – gente é ou não é para eu me sentir o máximo?


Apesar de, por diversas vezes, me sentir o máximo eu também me esforço para diariamente estourar os balões do ego que me levam às alturas e volto para o chão, onde sei claramente que cada sucesso vem acompanhado de muita responsabilidade.


Tenho que ter responsabilidade no que escrevo, pois outras pessoas podem se espelhar na minha experiência para decidir sobre o que fazer em relação à sua condição física.


Tenho que ter responsabilidade para não relaxar com minha alimentação e jogar todo esse sacrifício fora, entrando novamente no ciclo da engorda.


Tenho que ter responsabilidade para não deixar que os elogios sobre o meu novo corpo me levem a um patamar de excessos, dessa vez ao contrário, emagrecendo além do necessário para o meu limite corporal.


Portanto, mesmo sendo uma pessoa que adora aniversários e o de hoje é muito, muito importante, tento manter meus pés no chão em respeito a mim, à minha mãe, aos meus parentes, e principalmente a todos os profissionais que me ajudaram até este momento.


E portanto, como não me canso de agradecer, aqui vão mais alguns: MUITO OBRIGADA :

Dr. Fernando Leal Pereira ( cirurgião e anjo da guarda), Dr. Portelinha ( infectologista e super médico que me atendeu num momento bem difícil), Dr. André Pirajá ( Infectologista e outro anjo que foi colocado no meu caminho), Patrícia Zacharias ( Nutricionista – uma pessoa fantástica), Maria Olivia Belfort e Lea Maria Vieira (Psicóloga – queridas e que me ajudam a fixar meus pés na realidade), Kinha Auriema ( minha personal hair) que me ajuda a manter minha auto estiva elevada com a sua competência ao cuidar dos meu cabelos, que caem alucinadamente, Equipe da Cirurgia, UTI e Enfermagem do Hospital Nossa Senhora das Graças, Equipe da Cirurgia, UTI, Enfermagem e Pronto Socorro do Hospital Iamada, por todo o carinho, atenção e competência com que sempre me trataram.

Obrigada, Mãe, Paulo Sérgio, Tia Lola, Angela, Angélica, Neno, Tio Célio, Ana Laura, Aléxia, Thales e João Pedro por todo o carinho e atenção que me foram despendidos no período pós-cirúrgico.


Obrigada a todos os amigos e amigas que se preocuparam e rezaram por minha recuperação e obrigada de coração ao pessoal do Centro Espírita André Luis que cuidaram de mim durante todo esse processo.